Poesia "Teu veneno de amor" + Análise
- 8 de ago. de 2016
- 2 min de leitura
Teu veneno de amor
Naquela velha solidão rendi meu ser
Chamou-me de indigno amor
Foi com clamor que teu nome chamei
De repúdio, tu eras puro pavor
Tua alma límpida me prendeu em cordas
Com palidez tua pele me seduziu
Meu amor, tu eras da noite bela
Um pesar de suplício, pois com amargura
Digo e repito, a lua nunca nos uniu
Entreguei-me inescrupulosamente aos teus amáveis olhos
Afoguei-me em um mar gelado e infinito
Inevitável, irrevogável
Como minha amiga morte
Ah, meu amor, eram os teus olhos
Negros, displicentes, inocentes
E meu ser em essência sem sorte
Ah, meu amor, ouve-me, ouve-me
E não cala-te
Um veneno mortal me injetou
Congelou-me as veias e o roubou-me o ar
É a morte que em mim reina agora
Que me puxa, me prende, me abraça e afoga
Apenas pelo meu erro de amar
Da tua bebida amarga,
O veneno do amor
A morte me tira a excruciante dor
Digo-lhe e repito, pela última vez,
Sem mais estupor,
Sem embriaguez,
Foi o perigo do amor.
Ouve-me, ouve-me e não cala-te
Digo-lhe e repito,
Sem mais prolongar,
Adeus, meu amor.
Quem me dera jamais ter corrido o perigo
Da pura crueza
Que é amar.
Você, leitor, gostou da última poesia de nossa autoria, “Dê-me amor ou morte”? Agora você pode ler mais uma poesia, desta vez, da aluna Amanda Alegria, “Teu veneno de amor”. Trazendo a temática central deste blog, o Ultrarromantismo vivido pela Sociedade Epicuréia, o texto acima possui características específicas, estas foram então ressaltadas pela autora através de uma análise. Informe-se um pouco mais a seguir:
O pessimismo intrínseco presente nas estrofes:
“[...] Sem mais prolongar,
Adeus, meu amor
Quem me dera jamais ter corrido o perigo
Da pura crueza
Que é amar.”
A beleza do amor do eu lírico sendo exaltada e comparada à noite e morbidez da pele pálida da amada, assim como também é possível notar a presença de sua pureza e inocência:
“Tua alma límpida me prendeu em cordas
Com palidez tua pele me seduziu
Meu amor, tu eras da noite bela [...]”
“Ah, meu amor, eram os teus olhos
Negros, displicentes, inocentes [...]”
Fuga na morte: o eu lírico a vê como uma válvula de escape para a dor que o amor lhe causa:
“Da tua bebida amarga,
O veneno do amor
A morte me tira a excruciante dor [...]”
A impossibilidade da concretização amorosa do eu lírico, pois seu amor o despreza e o julga indigno:
“[...] Chamou-me de indigno amor [...]”
“[...] Um pesar de suplício, pois com amargura
Digo e repito, a lua nunca nos uniu.”
















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